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18/10/2017 Views: 175 Computadores, Consoles, Curiosidades, Mercado, Notícias, PC, Plataformas, Playstation

Project Cars 2 evolui o suficiente para incomodar rivais

Mais voltado para a simulação, segundo game da série resolve alguns problemas

Project Cars nasceu como uma ideia bem audaciosa. A desenvolvedora Slightly Mad Studios (SMS) foi criando o jogo com o financiamento de sua comunidade, aproveitando que já era conhecida por outros games de corrida como Need for Speed: Shift e Test Drive: Ferrari Racing Legends. Chamou a atenção pela qualidade gráfica e foco na física mais realista do que Gran Turismo e Forza Motorsport. Teve seus problemas, já que era praticamente impossível jogar com um controle (precisava do volante), o modo carreira foi mal pensado e era assolado por bugs e glitches (falhas de programação). Project Cars 2 resolve boa parte dos defeitos e tem tudo para tornar-se um dos grandes games do gênero, a ponto de incomodar muito a concorrência.

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Em números, Project Cars 2 não é tão impressionante assim. São 121 pistas (contando suas variações) e 182 carros (sem contar os que serão lançados via download), uma mera fração dos 700 carros e 200 trajetos do Forza Motorsport 7. Porém, ao invés de apostar em um número robusto, tiveram o cuidado de ter uma seleção bem feita. O foco do game é no automobilismo e isso reflete na lista de veículos, formada em grande parte por modelos como da categoria GT3. Tem poucos modelos de rua. Bons circuitos não faltam, desde velhos conhecidos como Brands Hatch como adições mais impressionantes como Indy 500.

Temos a chance de aproveitar tudo. Após o decepcionante modo carreira do primeiro jogo, a SMS foi mais cuidadosa e agora entregou uma experiência que faz mais sentido. Criamos um piloto e, logo em seguida, escolhemos qual será a primeira série que irá competir. Pode começar a vida no automobilismo pelo kart, por campeonatos com hatchs como a Clio Cup ou o campeonato com Ginettas, como é feito na Inglaterra. Bons resultados abrem novas possibilidades, desde disputas com supercarros ou monopostos até eventos especiais das fabricantes.

Embora seja bonito, está um pouco pior em relação ao jogo anterior, por sacrificar a qualidade gráfica pelo processamento de algumas funções. Não quer dizer que seja mal feito. Continua impressionante, principalmente quando usa as condições climáticas e passagem de tempo dinâmicas. Ver a chuva começando aos poucos e o sol descendo é um show à parte, melhorando pelos carros bem feitos. Mesmo em um PS4 comum (o Pro roda em 4k), como o usado para a avaliação, ainda é digno de nota.

Roda acima dos 30 quadros por segundo nos videogames normais, chegando na casa dos 48 fps. Se usar um PS4 Pro ou Xbox One X, beira os 60 fps. Os gráficos têm alguns glitches, como a pista sumir, ou o cenário ficar transparente. Texturas são boas no geral, embora possam mostrar seus defeitos ao olhar com cuidado no modo de fotos. Os replays rodam a 30 fps travados, o que não é ruim já que muitos games fazem o mesmo, só que faltam recursos como motion blur (embaço da imagem em movimento). É mais bonito em um PC potente, chegando a resoluções como 12K.

Realidade em foco

O que torna Project Cars 2 tão interessante é seu apego à autenticidade. Começa mesmo antes de correr, com regras separadas para cada campeonato, baseadas nas normas das categorias reais. Só isso já é o suficiente para tornar uma disputa diferente da outra não só pelo carros ou pelas pistas. Serve também para uma jogatina rápida ou para o modo online, basta selecionar o conjunto de regras.

Correr aqui não é tão simples e rápido quanto nos demais jogos. Uma corrida envolve também uma sessão de treinos e outra de classificação, para então partir para a disputa. Considerando que há pistas que aparecem somente no Project Cars 2, é bom praticar antes de partir para a briga. Claro, é possível escolher pular os dois. No entanto, não recomendo por causa de outra novidade do game, o LiveTrack 3.0.

Em uma corrida normal, a pista vai mudando aos poucos e é raro um game conseguir replicar isso. Project Cars 2 consegue graças ao LiveTrack 3.0. O asfalto vai ficando emborrachado no traçado usado pelos pilotos e sujo dos lados, enquanto a temperatura muda de acordo com a maneira como o sol está batendo no solo. Tudo isso aparece no jogo. Podemos até ver o traçado secando após uma chuva, enquanto a parte da pista onde os pilotos normalmente não passam continua molhada.

Essas mudanças não são só estéticas, pois este é um dos poucos jogos que simulam todas as nuances da aderência dos pneus, como a condição da pista e a temperatura, tanto do solo quanto dos pneus. Passar por uma poça d’água, por exemplo, pode causar aquaplanagem e, se não tomar cuidado, perda de controle. Por isso é bom passar pelo período de testes e de classificação, pois o traçado ficará emborrachado aos poucos e essa mudança é passada para as diferentes sessões.

Essa preocupação com a realidade aparece de outras formas. Há uma pequena adição que deveria estar em todos os jogos de simulação, que é a de deixar as assistências de condução no modo autêntico. Isso faz com que ele replique o modelo da vida real. Se um carro possui controle de estabilidade ou ABS, eles estarão lá. Porém, se o carro vem pelado, prepara-se para treinar muito para segurar a máquina.

Abraçar a vida de simulador é importante, pois o Project 2 almeja ser um dos principais games de eSports envolvendo corridas. Cada jogador começa sua vida online classificado como U1500. O U é de unlicensed (sem licença) para subir aos poucos até a categoria S, enquanto a numeração é sua habilidade. Vários fatores afetam isso, desde se você dirige de forma limpa sem cometer infrações até sua posição final na corrida. Ajuda a separar quem encara a disputa com seriedade de quem faz as curvas usando os outros como barreira.

Mais detalhes em: https://br.motorsport.com/