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28/02/2011 Views: 1798 PC

Back to the Future: The Game (Episode 2)

Demorou mais de um mês, mas Back to the Future: Episode 2 chegou para dar continuidade à trama iniciada no primeiro capítulo. Para refrescar a memória (só não deixe de conferir a análise completa), o primeiro episódio começou seis meses após os eventos do filme De Volta Para o Futuro III. Marty estava levando sua vida normal, mas sem Doc, que ficou em 1885 e é dado como desaparecido em Hill Valley. Os dois se encontram após o jovem Doc Brown de 1931 se envolver em confusões com a gangue de Kid Tannen – Marty, claro, precisou voltar à 1931 para salvar o cientista.

Bom, no final quase tudo acabou dando certo com os jovens Arthur McFly e Doc Brown da pacata Hill Valley de 1931. “Quase” porque algo acabou saindo errado e transformou a família Tannen em uma poderosa organização mafiosa com contatos em toda a Califórnia. Obviamente, a Hill Valley de 1986 sofreu as consequencias e está um caos completo, inclusive com Marty McFly tendo sido expulso da cidade dois anos antes.

Esta é a trama por trás do segundo episódio (de cinco) do game baseado em De Volta Para o Futuro. E apesar de manter os mesmos elementos e estilo dos puzzles, foi por terra o temor sobre como o pessoal da Telltale conseguiria manter o bom nível da história iniciada no primeiro episódio: Back to the Future: Episode 2 reserva momentos de muita inspiração – se passar por um “conhecido” de mafioso para ganhar a confiança de Kid Tannen é impagável. A própria 1986 “alternativa”, com Tannen no comando, é bem plausível e com tensão na medida certa, e ver George e Lorraine, pais de Marty, em uma situação de “fundo do poço” certamente vai mexer com quem é fã dos filmes.

Mas há alguns erros. Além dos personagens continuarem chamando Marty por pseudônimos diferentes a cada vez, o protagonista ainda comete a gafe de chamar Arthur (que virá a ser seu avô) de pai em determinada cena. Assim como no primeiro episódio, parece que faltou alguém para revisar os diálogos. Pelo menos continuam as referências ao mundo de De Volta Para o Futuro – um dos comparsas de Kid Tannen se chama Zane, em clara referência ao ator Billy Zane, que interpretou um dos malvados nos dois primeiros filmes.

Situação difícil de engolir mesmo é a de dois DeLoreans aparecerem juntos, na mesma cena. Tá certo que já aconteceu de termos dois DeLoreans e foi em De Volta Para o Futuro III – para quem não lembra, Doc foi a 1885 quase que “por engano” e deixou o veículo escondido. Mas Marty aparece em 1885 e não consegue voltar para 1985 por não haver combustível naquela época. Há dois DeLorean em 1885 e eles não se encontram. Mas no game Back to the Future: Episode 2 há dois DeLoreans e eles se encontram na mesma cena.

Acontece que o DeLorean é a máquina do tempo e só existe na realidade onde ele está naquele momento. Quer dizer, se Marty sai de 1985 vai para o passado com o DeLorean, não haverá mais DeLorean em 1985 porque ele teria viajado no tempo. A criação de realidades alternativas a cada vez que algo algum evento sofre influência não deveria incluir o DeLorean, porque a partir do momento que a própria máquina do tempo passa a fazer parte de uma determinada realidade, fica implícito que não é possível reverter as ações, apenas criar mais e mais realidades alternativas. Não cabe entrar em detalhes, mas se houvesse alguma coerência, o DeLorean deveria desapercer ao final deste segundo episódio. De Volta Para o Futuro tem suas próprias regras sobre viagem no tempo, mas algumas situações acabam forçando a barra de forma desnecessária.

Ousadia, mesmo, foi a introdução de novos personagens na trama. No primeiro episódio, a chatíssima Edna caiu como uma luva porque foi tratada como uma mera jornalista de 1931 que ajudava Marty a encontrar informações sobre o ponto de venda de bebida ilegal de Kid Tannen. No segundo episódio, dois novos personagens apareceram: a cantora Trixie e o policial Parker. Os dois têm suma importância no desenvolvimento da história – Trixie com certeza aparecerá no próximo capítulo, enquanto Parker “salvou o dia” em um momento chave. É difícil ver personagens secundários com alguma importância nos filmes de De Volta Para o Futuro, mas eles encaixaram muito bem no game, já que seria até monótono demais manter a história apenas em torno de Tannen, McFly e Brown.

Quebre a cabeça (ou não)

Os quebra-cabeças estão tão fáceis quanto os do primeiro episódio. Em alguns momentos será preciso dar uma olhada melhor pelo cenário e voltar em outra parte da locação, mas é tudo instintivo – é difícil ficar realmente empacado em algum momento Nada que atrapalhe (torna a jogatina mais gostosa até), mas quem curte point ‘n clicks mais clássicos e cheios de elementos para clicar pode ficar decepcionado. Pelo menos há bom uso daquele tipo de puzzle mais avançado, que consiste de simplesmente clicar nos objetos e personagens certos na ordem certa, e dá margem para esperarmos alguma coisa mais elaborada ou difícil nos próximos capítulos. Para quem é fã e quer apenas curtir a história de De Volta Para o Futuro, continua sendo um prato cheio.

Back to the Future: Episode 2 deixa claro que a série de games serve mais para continuar a trama do universo de De Volta Para o Futuro do que entregar uma experiência rica e única ao jogador. Tecnicamente falando, em termos de dificuldade e até de criatividade na hora de apresentar os puzzles, BTTF fica devendo para outros títulos da Telltale, apesar das boas três horas de jogatina que o game rende. Por isso, para este título vale a mesma recomendação do primeiro episódio: só jogue se gostar mesmo da série De Volta Para o Futuro. E termine o primeiro capítulo antes, claro.

 

Fonte: http://www.gametv.com.br