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27/12/2010 Views: 1086 Curiosidades

Dossiê: Sega Saturn

A história do Sega Saturn começou bem antes do 22 de novembro de 1994, data do lançamento do console no Japão. Voltemos para novembro de 1990: o Mega Drive completava apenas dois anos desde a chegada ao mercado japonês, e sua versão americana, Genesis, um ano e meio nas lojas dos Estados Unidos. Naquele mês, a revista EGM soltou o primeiro boato sobre o “Giga-Drive” (codinome supostamente inventado pela própria publicação), o então futuro sucessor do Mega-Drive/Genesis. Segundo a nota, o console seria um 32-bits com cartucho baseado na placa System 32 dos arcades (aquela que roda Rad Mobile, Jurassic Park e F1 Superlap). A Sega nunca confirmou a existência de um Giga-Drive e a teoria mais plausível é de que ele tenha se tornado o Sega-CD, lançado em 1991 no Japão.

Em meados de 1991, a Sega começou a esboçar o verdadeiro sucessor do Mega-Drive – aí sim, uma máquina de 32-bits utilizando cartuchos. Não se sabe ao certo qual projeto veio antes, mas a empresa trabalhava em dois: Jupiter, que rodaria apenas com cartuchos, e Saturn, baseado em CDs. Cabe um parênteses para teorizar sobre o significado dos codinomes: Saturno, o planeta dos anéis, corresponderia ao console com CD – até os logotipos do console referenciam os anéis, como se estes lembrasses os discos que o console utiliza como mídia. O Jupiter seria um Saturn com menor capacidade gráfica e usando cartuchos – em entrevista à EGM em julho de 1994, o gerente de produto da Sega, Hideki Okamura, chegou a afirmar que o Jupiter era uma “versão apenas em cartucho do Saturn” quando perguntado sobre a existência desse projeto.

Foi antes de 1994 que o projeto Jupiter foi deixado de lado em favor do Saturn, compatível com CD e com capacidade de rodar os jogos mais recentes e com gráficos poligonais, como Virtua Racing e Virtua Fighter. A Sega do Japão continuou trabalhando no novo 32-bits – a essa altura, já rolavam os rumores sobre os processadores Hitachi SH-2 e alguma especulação sobre a capacidade da memória RAM. Mas, em janeiro de 1994, o tal 32-bits em cartucho voltou à tona: no dia 8 do mesmo mês, véspera da CES (Consumer Electronics Show), o então CEO da Sega, Hayao Nakayama, convocou uma reunião de emergência com os altos executivos da companhia para propor a criação, nos Estados Unidos, de um console de 32-bits com cartucho, que seria basicamente um Mega-Drive com um processador SH-1 a mais e para ser lançado ainda para a temporada de compras de Natal, em 1994.

Joe Miller, um dos cabeças da divisão de hardware da Sega nos Estados Unidos, não gostou da ideia – se fosse apenas para melhorar o Mega-Drive, que fosse feito um acessório à parte. Nascia o projeto Mars, que acabou chegando ao mercado em novembro daquele ano como 32-X. Outro projeto com nome de planeta, o Neptune, estava cotado para ser um Mega-Drive com 32-X embutido, mas nunca foi lançado, apesar de uma carcaça (sem processador ou placa) ter sido produzida e apresentada a portas fechadas.

A história é complicada, as informações são escassas e tiradas de publicações da época, mas se é possível chegar a uma conclusão, é de que o Saturn passou um bom tempo na prancheta antes de virar o console que chegou ao mundo em 1994 – possivelmente nasceu como Jupiter e baseado em cartuchos, e virou Saturn porque o próprio mercado demandava um console de nova geração com CD. Não se sabe se algum protótipo do Jupiter chegou a ser produzido, e resta a ele o título de “elo perdido” entre o Mega-Drive e o Saturn.

Planeta Descoberto

As primeiras projeçõs do Saturn começaram a aparecer ainda no finalzinho de 1993. A primeira imagem oficial, de um protótipo exibido na Tokyo Toy Show em 2 de junho de 1994, mostra um console na cor bege, com botões ovais roxos e a interessante inscrição “Hi-Performance CD-ROM/Cartridge Entertainment System”, sugerindo talvez, que o plano inicial era de utilizar a entrada de cartuchos também para jogos neste formato, ao invés de receber apenas acessórios como os cartuchos de memória ou backup. A versão final do console veio em um tom de cinza claro, com os mesmos botões roxos e com o formato da entrada de cartuchos pouco modificada.

Àquela altura, a Sega já prometia o lançamento japonês ainda para 1994 e confirmava as especificações técnicas: dois processadores de 32-bits RISC SuperH-2 (da Hitachi) rodando a 28,63 mghz, 2 MB de RAM, drive de CD-ROM de dupla velocidade e placa de som com suporte para até 32 canais. O controle lembrava bastante o pad de seis botões do Mega-Drive, mas com a adição dos botões de ombro L e R (e a retirada do botão Mode). O console chegou às lojas do Japão em 22 de novembro de 1994 com um catálogo de apenas cinco games: Virtua Fighter, Myst e os obscuros TAMA, Mahjong Goku Tenjiku e Wan Chai Connection. Apesar dos poucos games disponíveis, o Saturn vendeu mais de 170 mil unidades no primeiro dia de mercado.

Para os Estados Unidos, a Sega optou por trocar a cor do console para preto e mudar o visual dos controles, que ganharam quinas mais quadradas e aspecto mais robusto. O console tinha data marcada para atravessar o oceano: sábado, 2 de setembro de 1995, também conhecido como “Saturnday”, anunciado ainda no começo daquele ano. A Sega, porém, passou por cima do dia previsto e revelou, no primeiro dia de E3 1995 (11 de maio), que o console já estava chegando a quatro redes de varejistas.

Este foi um dos maiores erros da Sega com o Saturn. Pouquíssimos jogos (Virtua Fighter, Panzer Dragoon, Daytona USA e NHL All-Star Hockey 95 entre eles) estavam completos para o lançamento em maio – a maioria só estaria pronta para sair em setembro, de acordo com o cronograma que a própria Sega havia enviado às softhouses.

Os jogadores gostaram da ideia de colocar as mãos no console antes do prazo previsto, mas poucas unidades foram colocadas nas lojas, e nem toda rede de varejistas participantes do lançamento (EB, Toys R’Us, Software Etc. e Babbages) disponibilizou os videogames. O preço não era tão atrativo frente aos US$ 299 que a Sony havia anunciado para o PlayStation: US$ 399 sem game, e US$ 449 com Virtua Fighter e mais um disco de demonstração. Grandes redes como Wal-Mart e KB Toys boicotaram o novo 32-bits e se recusaram a estocar consoles após o Saturnday (o dia do lançamento oficial) – a última chegou a recolher de suas lojas tudo que fosse relacionado à Sega.

A ousadia de lançar o console com quatro meses de antecedência em relação ao prazo previsto, deveria servir para instalar uma boa base de usuários de Saturn. Mas não foi isso que aconteceu, pois só manchou a imagem da Sega com seus revendedores, softhouses e, principalmente, consumidores. Como o estrago já havia sido feito, o jeito foi abastecer o console com bons títulos. As conversões de arcade foram bem aceitas durante toda a vida útil do Saturn – algumas, como Virtua Fighter 2 e Sega Rally, impressionavam bastante, ficando bem próximas aos seus originais dos arcades com a placa Model 2.

A arquitetura complicada (com dois processadores principais que acessavam a mesma memória RAM) dificultava muito o desenvolvimento de jogos para o Saturn. Em alguns casos, como Duke Nukem 3D, a produtora precisou refazer toda a engine para o jogo rodar de forma satisfatória; em outros, a solução foi simplesmente subaproveitar as capacidades do console, utilizando apenas um dos processadores. Virtua Fighter 2, da AM2, chegou a usar um processador para cada um dos dois personagens que aparece na tela. Por conta dessas dificuldades, sobrou para os estúdios da própria Sega a tarefa de fazer jogos que aproveitassem realmente todo o potencial do Saturn – Burning Rangers, Nights: Into Dreams e a série Panzer Dragoon são bons exemplos do que o hardware do console pode fazer se bem explorado.

Se gráficos poligonais realmente não eram o forte do videogame por causa das grandes dificuldades de programação, no 2D o console se sobressaía em relação à concorrência. Além da enxurrada de ótimos shooters, plataforma e RPG, o Saturn recebeu algumas das melhores conversões de jogos de luta da geração 32-bits.

A Capcom deu suporte total ao console até seus últimos suspiros. Os crossovers da Capcom X-Men vs. Street Fighter e Marvel Super Heroes vs. Street Fighter rodaram com perfeição (inclusive quase sem load times) no 32-bits graças ao cartucho de 4 MB de RAM. Vampire Savior, Cyberbots e Street Fighter Zero 3 também saíram sem mudanças em relação aos respectivos arcades. Da SNK, mais boas conversões de Neo Geo e arcades, como The King of Fighters ’97, Metal Slug e Real Bout: Fatal Fury Special.

Apesar dos esforços da Sega em conseguir versões exclusivas e lançar suas próprias conversões de arcades da época, como Fighting Vipers, Last Bronx e The House of the Dead, nomes fortes da indústria já estavam apoiando o PlayStation. Em 1997, o Saturn amargava a terceira posição em vendas de consoles, bem atrás dos consoles de Sony e Nintendo, e já rolavam os boatos sobre o seu sucessor (que saiu como Dreamcast).

O ano de 1998 trouxe os últimos games de nome para o Saturn, como Panzer Dragoon Saga, Shining Force III e Magic Knight Rayearth (o último lançamento americano, que chegou às lojas em 14 de dezembro de 1998). Por causa da chegada do Dreamcast, projetos já em andamento (Virtua Fighter 3 e Shenmue entre eles) foram transferidos para o novo console. No Japão, o 32-bits da Sega recebeu novos games até 2000 – um dos mais interessantes foi Street Fighter Zero 3 (agosto de 1999). O último lançamento foi Yuukyuu Gensoukyoku Hozonban Perpetual Collection, que chegou em 7 de dezembro de 2000.

Os acessórios

O Saturn possuía acesso a sites da internet e jogatina online através do modem NetLink de 28 kbps (conectado à entrada de cartucho do console), lançado em 1997. Foi o primeiro modem para console a permitir que os usuários utilizassem seu provedor de acesso, usando a mesma configuração já utilizada no PC. Infelizmente, apenas cinco jogos compatíveis com o NetLink chegaram ao mercado: Duke Nukem 3D, Sega Rally, Saturn Bomberman, Daytona USA: Championship Circuit Edition e Virtual On.

Além do NetLink, outros acessórios de Saturn utilizavam a entrada de cartucho. Os carts de 4 MB aumentavam a RAM do videogame e permitiram que os crossovers da Capcom fosse convertidos com sucesso. The King of Fighters ’95 exigia um cartucho de ROM, exclusivo para este game, enquanto outros games da SNK, como Samurai Shodown 4 e os da série Fatal Fury usavam um cart de 1 MB de RAM. Cartucho de backup, que tinha função de memory card, e o ST-Key, que permitia o uso de jogos japoneses no console americano (e vice-versa) também foram bem populares durante o ciclo de vida do Saturn.

Para aumentar a diversão na hora da jogatina, foram lançados o Arcade Racer (volante), Arcade Stick (que, apesar do nome, não possuía botões iguais aos de uma máquina de verdade), a Virtua Gun (pistola para jogos de tiro) e um dos mais legais, o Twin Stick de Virtual-On, réplica fiel do controle do arcade. Vale lembrar do “controle 3D” lançado em 1996 junto com Nights: Into Dreams, o primeiro com botões L e R analógicos.

Quem quisesse chamar os amigos poderia providenciar um multi-tap, que permitia até seis jogadores ao mesmo tempo (e só funcionava em games de esporte). Alguns jogos de tiro e corrida ainda tinham suporte para o cabo direct-link, para conectar dois consoles como em uma rede (exigindo, além de dois consoles, dois televisores e duas cópias do game).

Saturn no Brasil

O Sega Saturn chegou ao Brasil em 30 de agosto de 1995, pelas mãos da Tec-Toy. O preço era bem alto para os padrões da época (quase na mesma cotação do dólar): R$ 900 pelo console (preto, padrão americano) com um controle e o CD de Virtua Fighter. Os primeiros games custavam entre R$ 50 e R$ 70. O videogame chegou a ser fabricado por aqui, mas os discos eram importados, causando confusão em alguns casos: Street Fighter Alpha, por exemplo, se chama Street Fighter Zero no Brasil. Na embalagem daqui, vinha escrito Street Fighter Zero, mas o disco contava com o subtítulo Alpha.

Após um bom trabalho distribuindo games de Mega-Drive em estojos plásticos, a Tec-Toy preferiu economizar e lançou toda a linha de títulos do Saturn em caixas de papelão, muito frágeis e que estragavam facilmente. Pelo menos, a empresa tratou de disponibilizar os lançamentos americanos quase simultaneamente por aqui.

Perto do final do ciclo de vida do Saturn, a Tec-Toy adquiriu lotes de versões japonesas do console, incluindo o branco do segundo modelo e até o raríssimo Skeleton Saturn, com carcaça translúcida. Algumas unidades destes consoles podem ser encontradas em sites nacionais de leilão.

Legado

Apesar de ser lembrado como um fracasso retumbante, o Sega Saturn arrebatou muitos fãs por conta da excelente biblioteca de jogos de tiro e luta 2D lançados no Japão, além, claro, das boas conversões dos arcades da época em que a Sega dominava este mercado. Em todo seu ciclo de vida, mais de 9,5 milhões de Sega Saturn foram vendidos, e Virtua Fighter, Virtua Fighter 2 e Sega Rally detêm os títulos de jogos mais vendidos do console, com pouco mais de um milhão de cópias cada um.

Fonte: http://www.gametv.com.br

Comments

  1. Ferio says:

    Bons tempos…. jogávamos Marvel vs Street por horas. The king 97 também.

  2. I’m getting a browser error, is anyone else?