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15/11/2010 Views: 998 PC, Playstation, Xbox

God of War: Ghost of Sparta


Kratos tem um currículo invejável – ele é o culpado por praticamente tudo de ruim que aconteceu na Grécia antiga. Ele abriu a Caixa de Pandora. Matou Ares. Libertou os Titãs. Chacinou as Irmãs do Destino. Voltou no tempo, deu uma surra em Zeus e transformou um mundo em um grande terreno baldio inundado, cheio de corpos flutuantes. Tudo, claro, com uma bela careta estampada no rosto.

O lado bom é que, por isso mesmo, a ficha do guerreiro espartano está recheada de games de ação de altíssima qualidade – uma saga que terminou no PlayStation 3, no começo de 2010. Isso não impediu, porém, os legionários da Ready at Dawn de explorarem mais uma lacuna na carreira do herói em Ghost of Sparta, o novo God of War para PSP. Um jogo que, apesar de manter todas as qualidades dos outros, deixa claro que passou da hora dessa guerra virar lenda.

Cara Feia

O quinto episódio da série criada por David Jaffe cumpre um papel de “ponte” na saga sangrenta dos espartanos: contar como Kratos deixou de ser apenas um humano extremamente revoltado para se tornar um deus extremamente revoltado. Mas o ponto central da história é outro: a descoberta de que Deimos, o irmão perdido do guerreiro, está vivo e aprisionado em algum lugar nos domínios de Tanatos, o deus da morte.

Nessa jornada ele terá que passar pela Atlântida, cidade abençoada por Posdeidon e, bom, todos sabem que essa é outra daquelas histórias que não acabou bem. Agora você sabe o motivo.

Narrativa nunca foi a maior preocupação de God of War. Sempre há momentos emocionantes nos jogos e a história, no fim das contas, vale a pena. Mas Ghost of Sparta parece abandonar até essas tentativas e mandar a qualidade do roteiro, em definitivo, para o fundo do poço. Com exceção dois ou três (em sete horas de jogo), o jogo não tem ligações convincentes com o resto da série e você nunca sabe exatamente por que Kratos está fazendo o que está fazendo.

Antes você sabia que tinha que cruzar o deserto para chegar ao templo de Pandora. Sabia que tinha que tinha que passar por Atlas porque te derrubaram lá. Mas nunca fica claro o suficiente porque diabos você precisa encher Atlântida de magma e afundar a cidade inteira. Ainda assim, os momentos em que os dois irmãos passam juntos (e lutando lado a lado) são excepcionais.

Isso é Esparta

Lutas que, para o bem ou para o mal, seguem à risca o legado sangrento da série. Os golpes, combos e evoluções das Lâminas de Atena são os mesmos desde God of War II. A necessidade constante de bloquear na hora certa e nunca ficar parado no lugar, também. A maioria dos inimigos, infelizmente, também: são os mesmos soldados mortos-vivos, minotauros, harpias e medusas de sempre. Há algumas adições (como Autômatos e caveiras que se regeneram), mas nada que fuja muito do padrão mitológico.

O que faz a diferença são os poderes que o herói coleta durante a aventura – sem dúvida a parte mais interessante da jogabilidade. Além de poder fazer as lâminas ficarem em chamas, dando dano adicional e plantando bombas (extremamente úteis) nos inimigos, Kratos pode disparar uma grande rajada elétrica, criar buracos negros que sugam energia, congelar tudo o que há à sua volta e ainda usar o famoso par escudo e lança dos exércitos espartanos… todos têm espaço digno no campo de batalha. Até a arma secundária, história peça inútil no arsenal do Deus da Guerra.

E é preciso usar todas com sabedoria, já que Ghost of Sparta traz um nível de dificuldade mais alto que a média da série. O que seria bom se, em parte, isso não acontecesse pelos motivos errados: ter que soltar o movimento para selecionar uma magia, por exemplo, ou ter que segurar os botões L e R mais o direcional analógico para se esquivar. Sendo que, sozinhos, o primeiro botão defende e o segundo ativa as chamas das espadas. Nada que um pouco de prática não amenize, mas ainda assim a confusão e as dores na mão esquerda são inevitáveis.

Dito isso, a última luta é um dos momentos mais legais da série.

Ghost of Sparta é, enfim, God of War. Quase o mesmo que você jogou em 2005, mais próximo do que jogou em 2006 e com um pouco do que você jogou em 2010. Apesar de ainda ser divertido ver monstros quicando, fritando, explodindo e caindo em pedaços, o sangue já não é tão vermelho e vistoso. Melhor deixar o herói descansar em paz.

Fonte: http://www.gametv.com.br